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Psicologia Jurídica e Abordagem Gestáltica:
Um encontro nas Varas de Família

APRESENTAÇÃO

Desde os idos tempos da Faculdade de Psicologia da UERJ, me via as voltas com a seguinte pergunta: por que não me deparo, na universidade, com nenhum trabalho ou experiência que aborde Psicologia Jurídica e Abordagem Gestáltica? Tal interrogação fora construída ao longo de minha trajetória profissional, o que tentarei sintetizar agora.

 

Psicologia Jurídica e Abordagem Gestáltica sempre andaram comigo, mas em caminhos paralelos, cada uma no seu campo, no seu canto: na graduação, a partir de 2001, cursei a disciplina eletiva de Psicologia Jurídica e estagiei nas duas áreas [1]; após a conclusão da faculdade, a partir de 2003, dei continuidade aos estudos e formação iniciando a Especialização em Psicologia Jurídica e o Curso Psicologia Clínica – Uma Abordagem Gestáltica, ambos na UERJ. Nesse ínterim, trabalhava no Programa de Formação em Direitos da Infância e da Juventude – Pró-Adolescente desenvolvendo com a equipe atividades e projetos relacionados à Psicologia Jurídica, Direito de Família e direitos de crianças e adolescentes; em consultório privado e em uma organização não-governamental permanecia atuando a partir da clínica gestáltica.

Ao longo desses cinco anos, após a formatura na Faculdade de Psicologia, minha interrogação/reflexão ganhava corpo, substância tanto nas aulas da pós-graduação em Psicologia Jurídica bem como nas reuniões do grupo Parentalidade[2] onde me deparava com discussões, artigos científicos e livros que articulavam Psicologia, Direito e Psicanálise – nessas horas, é claro, lembrava-me da Abordagem Gestáltica... Além disso, a partir do Curso de Especialização em Psicologia Jurídica estagiei no Serviço de Psicologia do Escritório Modelo de Advocacia da UERJ. Neste serviço atendíamos – eu e mais duas psicólogas – a famílias e casais que buscavam auxílio para tratarem de questões relacionadas à guarda de filhos, separação conjugal, pensão alimentícia, convivência familiar, entre outras. Nos atendimentos, a meta principal da equipe era colocar em prática o arcabouço teórico advindo da Psicologia Jurídica. Ao longo desse estágio, percebi que a formação em Gestalt-Terapia influenciava-me no modo como me relacionava com as pessoas que recebia no serviço. Uma das profissionais que atuava conosco também era gestalt-terapeuta e em algumas de nossas reuniões, após os atendimentos, acabávamos por adotar em nosso diálogo conceitos advindos da Abordagem Gestáltica para elucidar questões associadas às pessoas e/ou famílias atendidas. Perceber na prática que as contribuições da Gestalt auxiliavam não somente a mim, mas também a outra colega, impulsionou-me para o próximo passo a ser dado. Em meados de 2008, decidi participar da seleção do Curso de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social da UERJ com o pré-projeto intitulado “Psicologia Jurídica e Abordagem Gestáltica: uma parceria possível nas Varas de Família?”. Com a aprovação, vislumbrei a abertura de um caminho para pensar e pesquisar a interlocução entre os dois campos.

Enfim, este livro é fruto de um encontro entre a Psicologia Jurídica em Varas de Família e a Abordagem Gestáltica. Para haver encontro precisamos conhecer o outro, por isso de alguma maneira meu objetivo implícito nesta obra foi de apresentar uma área à outra (primeiro e segundo capítulos) e depois marcar o encontro entre as duas (terceiro capítulo). Em Psicologia Jurídica e Abordagem Gestáltica: um encontro nas Varas de Família, apresento pesquisas e parte da trajetória da Psicologia Jurídica nos Juízos de Família, especialmente no Brasil, fundamentada na Psicologia Social Sócio-Histórica; bem como apresento a Gestalt-terapia a partir de sua visão de diagnóstico em Psicologia a qual se apoia em princípios oriundos da Fenomenologia. Dessa apresentação/encontro nasceu o que denominei postura compreensiva gestáltica e que proponho como contribuição da Abordagem Gestáltica ao campo de atuação do psicólogo jurídico nas Varas de Família.

Espero que seu encontro com este livro possa favorecer novas práticas, novas reflexões, enfim, novos desdobramentos em seus encontros com famílias pós-divórcio.

 

[1]   O primeiro estágio, na área de Psicologia Jurídica, foi no Programa de Formação em Diretos da Infância e da Juventude - Pró-Adolescente, do Instituto de Psicologia da UERJ, sob coordenação da Profa. Dra. Leila Maria Torraca de Brito; o segundo e o terceiro no Serviço de Psicologia Aplicada da UERJ, nas cadeiras de Terapia de casal e família e Terapia individual, sendo ambos com ênfase na Abordagem Gestáltica e supervisionados pela Profa. Dra. Teresinha Mello da Silveira.

 

[2]  Grupo parceiro do Programa Pró-Adolescente e que realizava pesquisas na área da Psicologia Jurídica relacionada ao Direito de Família.

Artigos (coautoria):

  1.  Capturando imagens e produzindo conhecimentos - Projeto Em Cine https://www.revistas.udesc.br/index.php/cidadaniaemacao/article/view/1718/1357

  2.  Fórum sobre guarda compartilhada: uma interlocução entre universidade e sociedade  https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/interagir/article/view/1805/1374

  3.  Encenando: difusão de informações sobre famílias contemporâneas https://ojs.unesp.br/index.php/revista_proex/article/view/1109/1174

  4.  AproximAção: dialogando sobre contatos extramuros https://periodicos.ufsc.br/index.php/extensio/article/view/1807-0221.2017v14n25p142/34294

Trabalhos:

Clínica gestáltica da pessoa em depressão: um estudo de caso (Trabalho de conclusão do Curso de Especialização em Psicologia Clínica - Abordagem Gestáltica / USU, 06/2018)

RESUMO: O presente estudo de caso visa apresentar os desdobramentos de acompanhamento psicoterápico junto à pessoa em depressão, alicerçado na Abordagem Gestáltica. A descrição e discussão do caso foram fundamentadas metodologicamente por meio da revisão de setenta relatórios-síntese de atendimento, donde foram escolhidos os cinco temas mais abordados pela cliente, ao longo de dois anos de psicoterapia. A partir da eleição dos temas que mais emergiram como figura, realizou-se a discussão teórico-prática balizada nas noções fundamentais de autossuporte e heterossuporte e outros correlatos conceituais gestálticos. O estudo clínico confirmou a importante contribuição que os conceitos de autoapoio e apoio ambiental, associados à proposta de relação terapêutica dialógica e ao exercício da compreensão diagnóstica em Gestalt-terapia, podem oferecer no acompanhamento de pessoas em estado depressivo.

Últimos eventos com apresentação de trabalhos:

SPA: Grupo de supervisão em Gestalt-terapia como heterossuporte

14a MOSTRA REGIONAL DE PRÁTICAS EM PSICOLOGIA - CRPRJ, 08/2021

Estudo de caso na clínica gestáltica: acompanhando uma pessoa em depressão

VII CONGRESSO DE GESTALT-TERAPIA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, 10/2019

Psicologia Jurídica e Abordagem Gestáltica: por uma postura compreensiva nas Varas de Família

XVI ENCONTRO NACIONAL DE GESTALT-TERAPIA/XIII CONGRESSO BRASILEIRO DA ABORDAGEM GESTÁLTICA, 07/2018

© 2015 por Psicóloga Christine Vieira Pereira. Orgulhosamente criado com Wix.com

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